CARNAVAL DE BELLOT

É verdade que o carnaval de rua de Belo Horizonte atrai dezenas de milhares de visitantes como nunca aconteceu. Que outra dezenas de blocos surgem anualmente e engordam o calendário da folia. Que a infraestrutura para viabilizar tanto cortejo e receber tanta gente precisou melhorar ao longo dos anos. E é claro que, com números tão expressivos, o carnaval belorizontino ficou muito atrativo para marcas que disputam espaço para emplacar ações de marketing.

 

Mas o carnaval de BH pode ser e deve ser apreciado para além dos números, dos limites da organização da prefeitura e da onda do capital. Os blocos que estruturaram a ideia de um carnaval na cidade que não tinha carnaval - diga-se de passagem, por uma motivação estritamente política - ainda se garantem. Muitos deles independentes, alheios a patrocínios, a trajetos convencionais, a corda, abadás e microfones. Eles acontecem porque têm em sua essência a resistência, a transgressão e o desbunde.

 

Esses tais blocos de BH dão aula o ano todo: de percussão, de sopro, de alegoria, de fantasia, de respeito, de autonomia, de empoderamento, de liberdade, de auteridade e amor. E quando chega o carnaval cimento vira praia, bloco vira luta, túnel vira passarela, rock vira marchinha, batuque vira bateria, cachorro vira platéia, estandarte vira o santo.

 

A primeira foto é um registro da então batizada "Praia da Estação" em 2010. Nas fotos seguintes, quatro blocos durante o carnaval de 2019: Manjericão, Sopra que Sara, Ziriggydum Stardust e Todo Mundo Cabe no Mundo.